Cultura de Prevenção em Viagens durante a Pandemia

Enquanto toda a cadeia do turismo foi afetada pela pandemia, percebe-se uma mudança no comportamento do consumidor individual ou corporativo em relação a contratação e proteção oferecida pelos seguros viagem.

Para entender melhor a importância do seguro viagem no mercado do turismo e o que provavelmente veremos pela frente na gestão de risco e prevenção para pessoas física ou em viagens corporativas, em destinos nacionais ou internacionais, independente do período de permanência, conversamos com Valeria Pereira – Gerente de Produtos da Affinity Seguro Viagem, e Taís Mahalem – Diretora de Marketing & Digital Commerce da Coris – April Brasil Seguro Viagem.

Busca detalhada e conscientização

Com a quantidade e rapidez que as informações chegam até os consumidores, é perceptível a sua mudança de comportamento. O viajante tem buscado se informar mais detalhadamente sobre valor e alcance das coberturas e, por isso, tornou-se imprescindível mostrar a importância do seguro viagem. Há uma preocupação em esclarecer cada detalhe dos planos oferecidos, principalmente entre os agentes de viagem, afinal, são os grandes responsáveis pela venda do seguro. Apesar da pandemia, os valores contratados pelo cliente têm mantido a média histórica.

O perfil do viajante também se transformou. Atualmente, a viagem individual é a mais procurada. Os planos para grupos em família ou amigos caiu drasticamente, assim como as viagens corporativas. Em 2020, a procura por viagens também inverteu sua curva. Desde o mês de abril nota-se um aumento nas remarcações, bastante atípico historicamente – conta Valeria Pereira, Gerente de Produtos da Affinity.

Perfis de viajantes que buscam Seguro Viagem no Brasil

Taís Mahalem, Diretora de Marketing da Coris, diz que a cultura de seguros em geral no Brasil era limitada. Nos pacotes oferecidos pelas agências de turismo, 15 a 20% dos viajantes adquiriam pacotes com seguros viagem. A pandemia trouxe uma reflexão e uma maior atenção à contratação de planos os seguros viagem nacionais e internacionais. Houve um aumento expressivo na busca sobre detalhes de valor e alcance das coberturas a eventuais problemas de saúde e sinistros. Por exemplo, a procura por seguros de acidentes em viagens com deslocamento superior a 70 Km da residência do segurado aumentou 40%.

A percepção de Taís Mahalem é de que os diferentes valores de seguro viagem estão relacionados aos destinos escolhidos e perfis do viajante. Ela cita, por exemplo, viagens para os EUA – onde o custo da saúde é mais alto em comparação à Europa, ou por viagens de esportes e aventura – em que profissionais ou amadores tem maior risco de acidentes, ou ainda em intercâmbio – maior permanência de atendimento a imprevistos, e até nas viagens em família com crianças – onde médico vai até o paciente (House Call).

Transformação do mercado e demanda por seguro viagem na pandemia

A necessidade do seguro num cenário de incertezas desenhado pela pandemia, provocou uma necessidade das empresas se reinventarem, para conseguir acompanhar toda essa transformação, observa Valeria.

Ainda com o mercado muito sensibilizado pelas fronteiras fechadas em função da pandemia os cancelamentos se seguiram em viagens programadas. A partir de outubro houve um aumento na procura, principalmente pela reabertura de alguns países da América do Sul. Mas, como cada país adotou diferentes exigências, e os planos tradicionais de seguro viagem não ofereciam cobertura para o Coronavírus, houve a necessidade de adaptar os produtos para atender essa nova demanda.

Em upgrades dos planos, com valores e coberturas variados, para viagens nacionais e internacionais, o passageiro pode escolher limites de Despesas Médicas e Hospitalares (DMH) para incorporar em seu seguro. Também agregou-se o direito a indenização para hospitais de campanha – Hospital Cash – com até quinze dias de internação.

Nas viagens internacionais, a mudança se deu sobre a extensão das coberturas relacionadas a imprevistos como: repatriação, acompanhantes, retorno para a residência.

Durante a pandemia, a Coris prevê despesas médicas e hospitalares, testes do Covid-19, e exames numa cobertura adicional. O valor contratado para a cobertura do Coronavírus já é padrão para todos os planos.

Sondagem do futuro

Numa previsão para o futuro das viagens, a partir da chegada da vacina, o nível de confiança aumentará, porque hoje o maior desafio são as fronteiras que se mantém fechadas, como EUA e Europa. Parte dos destinos que já reabriram suas fronteiras passou a exigir o seguro viagem para os turistas, ou seja, agora essa contratação tornou-se obrigatória.

Taís Mahalem acredita que, num cenário de incertezas desenhado pela pandemia, a hipótese do retorno das viagens num futuro próximo é a do cliente que já foi contaminado pelo Covid e, teoricamente está imune, das famílias que moram no exterior com saudade de casa, de jovens em intercâmbio, e o retorno das viagens corporativas. Os grupos de risco provavelmente esperarão pela vacinação em massa.

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