Análise de risco em shoppings

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Shoppings preparam reabertura – a importância da análise de riscos e como implementar

Os Shopping Centers deixaram de ser um centro de compras e se tornaram grandes complexos de conveniência, convivência e lazer para se adequar ao novo comportamento do consumidor.

São milhares de pessoas todos os dias e milhões de reais em patrimônio.

Para garantir a segurança de ambos, é fundamental uma análise de riscos impecável e planejamento adequado para lidar com uma infinidade de possíveis sinistros. 

Apesar da enorme diversidade e oferta de mercadorias, as pessoas vão até o shopping para resolver inúmeras necessidades e vontades em um só lugar. Como hoje se transformaram em grandes complexos integrados, o número de pessoas, lojas e serviços expandiu e aumentou a complexidade dos procedimentos para proteger efetivamente todas as pessoas e empreendimentos de quaisquer ocorrências.

Adauto Lopes, Diretor de Segurança e Riscos da Seg-One, ressalta que a segurança em shopping é fator muito positivo e cada vez mais existe a preocupação dos empreendedores com investimentos nesta área.  

“De maneira geral, há um gestor de segurança em cada empreendimento cuidando dos detalhes e aplicação dos processos para mitigar riscos e fechar as janelas das oportunidades. É importante mencionar que um empreendimento deve definir qual é o seu nível de apetite ao risco, de maneira que o resultado da análise de risco aponte o nível de exposição (para cima ou para baixo) de forma a adotar as medidas de mitigação”, afirma Lopes. 

Mas, o que é preciso para implementar uma cultura de segurança que visa realmente preparar a equipe, minimizar ou mitigar uma série de riscos nos shoppings? Qual seria a maneira adequada de realizar a análise desses riscos e garantir a eficácia nas ações pontuais e rotinas de controle da segurança?

Análise de riscos em shoppings: é possível padronizar? 

De uma forma geral, as administradoras de shoppings utilizam como base a ISO 31000:2018 para definir suas políticas de gestão de riscos. Porém, cada empreendimento ou a área corporativa de segurança, no caso de grandes administradoras, pode utilizar outras ferramentas para analisar e tratar os riscos. Como cada empresa possui sua filosofia e políticas de segurança, o tratamento dos riscos também pode variar.

“Recomenda-se que os departamentos de segurança desenvolvam uma análise de risco utilizando metodologias conhecidas e consolidadas ao longo do tempo, como T. Fine ou Delphi e consolidem o tratamento dos riscos em seus planos de segurança. Cabe ressaltar que a gestão de risco em shoppings é apenas a ponta do iceberg”, esclarece Nilton Almeida, gerente corporativo de segurança ANCAR

A gestão de segurança na indústria de Shopping Centers exige o desenvolvimento de um amplo e consistente programa de segurança, envolvendo todas as áreas de gestão de um empreendimento, como gerenciamento de crise, continuidade de negócios, contingenciamento, recursos humanos, segurança eletrônica, prevenção e combate à incêndio, entre outros temas afins.

Tripé para um projeto de análise de riscos para Shoppings Centers

Devemos sempre observar um tripé para a formatação do projeto de análise de riscos. Nele, consideram-se os recursos humanos, tecnológicos e procedimentos.

  • Nos recursos humanos são observados pontos como a formação e treinamentos destes profissionais, o quantitativo e forma de cobertura nos pontos operacionais, levando em conta, principalmente, os pontos estratégicos e de maior vulnerabilidade. 
  • No processo tecnológico são analisados os recursos disponíveis, localização de instalação e a quantidade de sistemas passivos e ativos, de maneira a manter um processo operacional conectado com os recursos humanos. 
  • Por último, os procedimentos operacionais, os quais nortearão todas as ações que serão adotadas no dia a dia de segurança operacional.

“A segurança deve ser tratada como única, não importando se os profissionais sejam próprios ou contratados, de maneira que todos devem praticar o mesmo procedimento. Esta deve ser uma política clara para qualquer empresa e de qualquer segmento. Todos devem conhecer a política de segurança da empresa, as ações de mitigação de riscos e devem estar treinados para adotar uma medida diante de uma situação fora da normalidade”, comenta Lopes, Diretor de Segurança e Riscos da Seg-One. 

Tecnologia e recursos humanos 

A tecnologia permitiu à área de segurança e gestão de risco ampliar a vigilância nas dependências dos shoppings e antecipar eventos, identificar e monitorar pessoas, prevenir perdas, assim como oferecer às autoridades informações importantes para investigações.

Apesar da tecnologia já ser parte integrante da gestão de segurança há mais de 30 anos, foi na última década que ela mais contribuiu para área de mitigação de riscos. O desenvolvimento de softwares e recursos como detecção de movimento, sentido de fluxo de pessoas e reconhecimento facial permitiram gerar mais dados para as tomadas de decisões ou até mesmo para a realização de análises preditivas.

No que tange a comunicação assertiva e centralizada, fundamental para garantir que a gestão da segurança seja efetiva, hoje existem aplicativos específicos para gestão da comunicação, onde tudo pode ser feita por smartphone.

Quanto aos recursos humanos, Almeida afirma que “treinamento é a palavra, capacitação do profissional de segurança, essencialmente nos níveis de gestão tático e estratégico. O conhecimento em gestão de riscos ainda é escasso no Brasil e é preciso recorrer às experiências internacionais para desenvolver uma cultura de segurança de alto padrão no país”. 

Antes do treinamento, é importante cuidar das etapas anteriores, como seleção e contratação. 

“O processo de contratação de um profissional, seja qual for a função a ser desempenhada, deve ser baseada em um perfil, com as definições de conhecimento e experiência. Isto já faz uma grande diferença! Após a contratação do profissional de segurança, nos primeiros dias, deve acontecer uma imersão nos procedimentos existentes na empresa, leitura de manuais, normas, vídeos, etc. A preparação de um profissional de segurança para ambiente de alto fluxo é longa e requer cuidados de sua liderança”, explica Lopes. 

Conforme mencionado anteriormente, quando o tripé está dentro dos conceitos da análise de riscos e bem integrado, principalmente no aspecto de treinamentos, fará grande diferença no resultado, pois a segurança irá atuar de acordo com um planejamento operacional desenvolvido a partir dos levantamentos realizados durante a análise de riscos.

Gerenciamento de riscos versus público consumidor

Os cuidados com a segurança patrimonial e humana dentro de shopping centers é visto de forma positiva pelo público? Apesar de na maioria das vezes oferecer a sensação de segurança e cuidado para os clientes, é inevitável que existam situações de desconforto e/ou incômodo. 

“Precisamos lembrar que segurança é uma sensação, um estado de espírito! Muitas vezes estamos em algum lugar seguro, mas não temos essa sensação. Em outras situações pode ser o inverso. Cada vez que nos sentimos confortáveis e seguros, a restrição do tráfego de pessoas, controle de acesso, instalação de barreiras, monitoramento e regras de segurança podem gerar desconforto”, conclui Almeida. 

Shoppings e Covid-19

Diante da pandemia de Covid-19 que o mundo está enfrentando, shoppings e demais atividades consideradas não essenciais, foram desaceleradas ou completamente paralisadas nos últimos oitenta dias.

Agora, os estados vêm flexibilizando as medidas de isolamento e alguns centros comerciais já estão começando a reabrir pelo Brasil, enquanto outros estão em processo de adaptação para retomar as atividades seguindo as medidas de segurança necessárias. 

A Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE) elaborou um protocolo de segurança com mais de 20 recomendações para os empreendimentos adotarem nesta retomada. O estudo conta com pontos importantes para a manutenção da segurança das pessoas – colaboradores e clientes. Outro ponto relevante é a norma técnica com recomendações de desinfecção, elaborado pela ANVISA.

“A abertura gradativa, como está sendo proposto, é importante para esta retomada e trazer tranquilidade aos clientes. Os shoppings devem fazer suas reaberturas respeitando todas as orientações dos órgãos estaduais, municipais e observando o protocolo da Abrasce. Com todos estes cuidados, trarão tranquilidade e segurança aos visitantes. O ambiente de um shopping center é seguro e conta com equipes treinadas para atuar na operação de segurança do seu dia a dia”, finaliza Lopes.


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